15.5.05

para uma calopsita

foi um ploft. procurei no quarto e o barulho não fazia sentido. só podia ser fora. era um sabiá que se chocou contra a minha vidraça. (confesso que achei ser um pardal, nunca fui admiradora de pássaros, não sei distinguir uma arara de uma maritaca.)

fiquei olhando de longe, passarinhos sempre me lembram 'a história triste de tuim', do Braga e seu tuim criado no dedo. (pausa para esclarecimentos: também não sabia o que era um tuim. achava que era parecido com um pardal, mas diz o Braga que "De todos esses periquitinhos que tem no Brasil, tuim é capaz de ser menor. Tem bico redondo e rabo curto e é todo verde, mas o macho tem umas penas azuis para enfeitar.")

voltemos ao meu não-pardal. tava lá o coitadinho. parecia ser sangue no bico. peguei água na cozinha, o André molhava o dedo na água e deixava pingar no bico e ele - o sabiá - ficava olhando pra gente com aquela carinha de quem não tá entendendo muito. pensei em lhe servir um analgésico. Quis pegá-lo pra ver se o machucado era mais grave, no peito. e ele voou.

moral da história: nem todo pássaro é pardal, e eu não aprendo nunca, por mais perto que esteja do que eu quero não controlo a minha ansiedade, atropelo o tempo e as coisas voam.