4.2.07
Me dê noticia de você
Eu gosto um pouco de chorar
A gente quase não se vê
Me deu vontade de lembrar
Me leve um pouco com você
Eu gosto de qualquer lugar
A gente pode se entender
E não saber o que falar
Seria um acontecimento
Mas lógico que você some
No dia em que o seu pensamento
Me chamou
Eu chamo o seu apartamento
Não mora ninguém com esse nome
Que linda a cantiga do vento
Já passou
A gente quase não se vê
Eu só queria me lembrar
Me dê noticia de você
Me deu vontade de voltar
Chico
Eu gosto um pouco de chorar
A gente quase não se vê
Me deu vontade de lembrar
Me leve um pouco com você
Eu gosto de qualquer lugar
A gente pode se entender
E não saber o que falar
Seria um acontecimento
Mas lógico que você some
No dia em que o seu pensamento
Me chamou
Eu chamo o seu apartamento
Não mora ninguém com esse nome
Que linda a cantiga do vento
Já passou
A gente quase não se vê
Eu só queria me lembrar
Me dê noticia de você
Me deu vontade de voltar
Chico
28.1.07
Angela estava aqui e foi comigo buscar A. no restaurante. No caminho, conversando e rindo, passamos por uma livraria e olhei pra dentro. O riso sobrado da bobagem dita encarou Lulu Santos. Fiquei com vergonha, parecia que ria pra ele.
Lembrei da M.
Fora esse momento esforço busca-marido, passei o fim de semana estatelada, pincei o ciático e outras coisas da idade.
Lembrei da M.
Fora esse momento esforço busca-marido, passei o fim de semana estatelada, pincei o ciático e outras coisas da idade.
18.1.07

então, é hoje. estréio como colunista da Revista Paradoxo
quinta sim, quinta não, vou estar com novo endereço.
visitem, comentem. critiquem. mostrem pros amigos. :-)
ah, o nome da coluna é embornal. quer saber por que? então vai lá.
P.S.: aproveito para agradecer ao meu marido, à Angela, ao Julio, ao Mark e à Marina W.
15.1.07
Dona Doida
Uma vez, quando eu era menina, choveu grosso
com trovoadas e clarões, exatamente como chove agora.
Quando se pôde abrir as janelas,
as poças tremiam com os últimos pingos.
Minha mãe, como quem sabe que vai escrever um poema,
decidiu inspirada: chuchu novinho, angu, molho de ovos.
Fui buscar os chuchus e estou voltando agora,
trinta anos depois. Não encontrei minha mãe.
A mulher que me abriu a porta, riu de dona tão velha,
com sombrinha infantil e coxas à mostra.
Meus filhos me repudiaram envergonhados,
meu marido ficou triste até a morte,
eu fiquei doida no encalço.
Só melhoro quando chove.
Adélia Prado
Uma vez, quando eu era menina, choveu grosso
com trovoadas e clarões, exatamente como chove agora.
Quando se pôde abrir as janelas,
as poças tremiam com os últimos pingos.
Minha mãe, como quem sabe que vai escrever um poema,
decidiu inspirada: chuchu novinho, angu, molho de ovos.
Fui buscar os chuchus e estou voltando agora,
trinta anos depois. Não encontrei minha mãe.
A mulher que me abriu a porta, riu de dona tão velha,
com sombrinha infantil e coxas à mostra.
Meus filhos me repudiaram envergonhados,
meu marido ficou triste até a morte,
eu fiquei doida no encalço.
Só melhoro quando chove.
Adélia Prado
28.12.06
pós-Natal, ainda dá tempo de comprar alguns presentes esquecidos. cheguei em casa às 10 da noite, e liguei a tv. a onda de ataques e violência no Rio de Janeiro.
acordei e liguei a tv. a onda de ataques e violência no Rio de Janeiro.
fui trabalhar e comprei o jornal. a onda de ataques e violência no Rio de Janeiro.
depois do trabalho, última chance do ano pro pessoal da empresa, vamos tomar um chope? não dá, tenho que voltar cedo pra casa. a onda de ataques e violência no Rio de Janeiro.
a violência não é mais uma questão de alternativa, do tipo 'desligue a tv', 'não leia o jornal'. invadiu primeiro os ouvidos, que se habituaram aos tiroteios. agora invade minhas escolhas. não posso mais escolher tomar um chope quando quero. a violência tem que permitir.
o último degrau vai ser invadir as nossas janelas, e não nos permitir o horizonte.
acordei e liguei a tv. a onda de ataques e violência no Rio de Janeiro.
fui trabalhar e comprei o jornal. a onda de ataques e violência no Rio de Janeiro.
depois do trabalho, última chance do ano pro pessoal da empresa, vamos tomar um chope? não dá, tenho que voltar cedo pra casa. a onda de ataques e violência no Rio de Janeiro.
a violência não é mais uma questão de alternativa, do tipo 'desligue a tv', 'não leia o jornal'. invadiu primeiro os ouvidos, que se habituaram aos tiroteios. agora invade minhas escolhas. não posso mais escolher tomar um chope quando quero. a violência tem que permitir.
o último degrau vai ser invadir as nossas janelas, e não nos permitir o horizonte.
27.12.06
14.12.06
11.12.06
por muitos anos da minha vida tive que tomar um remédio todos os dias. era uma coisa pra me fazer bem, mas aí, se eu me esquecia num dia, no outro era ruim, tinha dor de cabeça, tinha que começar de novo, começar aos poucos. 1/4, meio, e tal, até conseguir de novo. (ou esquecer.)
o bula bula é meu remédio.
o bula bula é meu remédio.
10.12.06


então fizemos as pazes e fomos ao Paço.
Ferreira Gullar estava sentado na mesa ao lado da minha, e pensei se não era um sinal, pois "Uma parte de mim é só vertigem: outra parte, linguagem."
e me deu vontade de contar coisas. e de desperatar minha parte linguagem adormecida.
*essa foto aí, fui bem eu que tirei.
12.7.06
1.6.06

Minha TV supermegamaxinovagrande queimou. 18 dias de uso e queimou. No meu prédio a antena tá com problema há um tempão e o técnico nunca vem consertar.
Meu celular eu já desisti, total. A Claro mandou o aparelho e não mandou o chip. Na verdade mandou, mas não registrou e é impossível habilitar. Bem, ganhei umcelular novo por 1 real.
28.5.06
27.5.06

A Mel anda atacada, fazendo muito barulho de noite. A Teresa diz que é da idade, que depois passa. O André quase não tem dormido, sobressaltando-se a cada barulho maior.
O Merlin acha que faz parte do tapete do banheiro, que é preto e felpudo. Dia desses, antes de um fime, passou o trailer de Arthur, em que alguém grita "Meerrlin". O abusado veio correndo: "Ahn". (Porque o Merlin não mia, ele resmunga e grita)
Terminei de ler "O Gato", de Simenon*.
Será que estou me transformando em uma catlady?
*Simenon é meu autor favorito para ler em movimento. De tanto garimpar descobri uma banca de livros na pracinha aqui bem perto, que vende livros a 3 por 10. E achei vários de Simenon, vindos direto da terrinha.
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