16.5.06
15.5.06
14.5.06
15.4.06
8.4.06
'Tinha vantagens não saber do inconsciente, vinha tudo de fora, maus pensamentos, sensações, desejos. Contudo ficar sabendo foi melhor, estou mais densa, tenho âncora, paro em pé por mais tempo. De vez em quando ainda fico oca, ocorpo hostil e Deus bravo. Passa logo. Como um pato sabe nadar sem saber, sei sabendo que, se for preciso, na hora H nadocom desenvoltura. Guardo sabedorias no almoxarifado."
Adélia Prado no último livro-de-ler-no-ônibus que terminei de ler: Quero minha mãe. Lindo.
Adélia Prado no último livro-de-ler-no-ônibus que terminei de ler: Quero minha mãe. Lindo.
"Algumas dores são, sim, públicas; porque, de uma variação a outra que elas sofram, no substrato já foram sentidas por todos, ou o serão. Em forma bruta, na raiz, no talo, gente é tudo muito parecido. "
eu amo essa menina, da matérias dos pirlimpimpins, dos encantamentos de pássaros.
eu amo essa menina, da matérias dos pirlimpimpins, dos encantamentos de pássaros.
7.4.06
Às vezes, francamente, o espírito humano dá nome às coisas de maneira bem poética. Um lavrador vai a seu campo no tempo da semeadura para o arar, preparar as sementeiras. Faz um comprido sulco, raso e largo, com o facão do arado; e depois volta fazendo outro, e outro, muitos mais, todos cuidadosamente paralelos entre si, para facilitar o lançamento das sementes de um e outro lado das alamedas... Mas a calma do sol da tarde age-lhe misteriosamente na alma, e ele se distrai, e sonha, e sonha mais e se distrai mais ainda, enquanto o arado corta a terra, já sem rumo fixo, em linhas desconexas. Deu para imaginar a cena? É uma cena de delírio, tal como entendemos o que isso seja. E mais: estar fora de si, imaginar loucuras, e se possível cometê-las... na gíria jovem deste fim-de-século, enfim, delirar é "viajar". Sair dos sentidos. "Fulana viajou", diz alguém assustado, ao ver a amiga sempre tão comedida, sempre tão "em ordem", um dia chutar o pau da barraca, virar a mesa e acabar rodando a baiana, num puro delírio. Que também pode significar uma outra "viagem", triste viagem de parca volta, a das drogas. Pois é. Na raiz, a palavra delirar nos fala de tudo isso, pois quer dizer, literalmente, "sair (o lavrador que conduz o arado) do sulco (planejado)". O verbo latino delirare é formado por lira, "sulco feito pelo arado", com o prefixo latino de-, "fora de", "afastado de". Por falar nisso, "estar fora de si" tanto pode ser um estado de delírio como um estado de êxtase (ekstasis, "arrebatamento íntimo" pref. de-, "fora de" + lira, "sulco de arado".]
2.4.06

era uma vez uma grande carestia. não havia comida, e a terra estava coberta de gelo. fazia muito frio, e o passarinho pensou que ia morrer.
então veio uma vaca e ploft!, cagou em cima do passarinho. e ele, com raiva, começou a reclamar. 'já não bastasse fome e frio, ainda me colocam na merda'.
e foi então que o encanto se deu e ele começou a perceber que aquela cobertura o aquecia. mais e mais. e nosso amiguinho, com o corpinho quente, ficou tão feliz que cantou.
eis que passava por ali um leão que ouvindo aquele canto, se aproximou e nhac! matou sua fome com carne de passarinho.
moral da história: nem todo mundo que te põe na merda está te fazendo mal. nem todo mundo que te tira da merda está te fazendo bem.
e quando estiver feliz, feche o biquinho.
passarinho roubado de www.ninjai.com, um vício
28.3.06
então eu vim pra casa, sacolas de supermercado na mão, pensando sobre o perecível tempo. (senti falta do papagaio que me cumprimentava sempre. será em que pregas do mundo se meteu?) pensei no verbo. no princípio era o verbo.
sempre gostei dessa frase. quando é tempo assim, de entremeio coisa e outra, penso que no princípio é sempre o verbo. depois de pausa é que vem substantivo. e o verbo é querer, planejar, confabular, construir, cozinhar, escrever. e o substantivo é qualquer coisa que se queira.
(e se não fosse a esperança de que me aguardarias, com a mesa posta, o que seria de mim eu não sei.)
sempre gostei dessa frase. quando é tempo assim, de entremeio coisa e outra, penso que no princípio é sempre o verbo. depois de pausa é que vem substantivo. e o verbo é querer, planejar, confabular, construir, cozinhar, escrever. e o substantivo é qualquer coisa que se queira.
(e se não fosse a esperança de que me aguardarias, com a mesa posta, o que seria de mim eu não sei.)
27.3.06
26.3.06
Dá uma geral, faz um bom defumador
Encha a casa de flor
Que eu tô voltando
...
Faz um cabelo bonito pra eu notar
Que eu só quero mesmo é despentear
Quero te agarrar
Pode se preparar
Porque eu tô voltando
Põe pra tocar na vitrola aquele som
Estréia uma camisola
Eu tô voltando
...
Diz que eu só volto amanhã se alguém chamar
Telefone não deixa nem tocar
Quero la la iá
la la iá iá iá
Porque eu tô voltando
Encha a casa de flor
Que eu tô voltando
...
Faz um cabelo bonito pra eu notar
Que eu só quero mesmo é despentear
Quero te agarrar
Pode se preparar
Porque eu tô voltando
Põe pra tocar na vitrola aquele som
Estréia uma camisola
Eu tô voltando
...
Diz que eu só volto amanhã se alguém chamar
Telefone não deixa nem tocar
Quero la la iá
la la iá iá iá
Porque eu tô voltando
O dia do sol se veste de chuva.
Queria que se chamasse Ñamandu. Ñamandu, o deus Sol guarani, que antes de criar a Terra, e antes de criar os homens, criou a linguagem. E no princípio era o verbo.
Então eu queria poder chamar domingo de Ñamandu, já que os alemães têm o direito de chamá-lo Sonntag e os ingleses de Sunday, assim maiúsculos.
Nós, com nosso minúsculo domingo, não chamamos o sol. E ele, injuriado por não ouvir seu nome, se cobre com seu manto cinza, e vai mesmo é tirar um cochilo.
A palavra "domingo" é originária do latim Dies Dominica que significa "Dia do Senhor". Existe, nessa mesma acepção, em espanhol (Domingo), italiano (Domenica) e francês (Dimanche).
Queria que se chamasse Ñamandu. Ñamandu, o deus Sol guarani, que antes de criar a Terra, e antes de criar os homens, criou a linguagem. E no princípio era o verbo.
Então eu queria poder chamar domingo de Ñamandu, já que os alemães têm o direito de chamá-lo Sonntag e os ingleses de Sunday, assim maiúsculos.
Nós, com nosso minúsculo domingo, não chamamos o sol. E ele, injuriado por não ouvir seu nome, se cobre com seu manto cinza, e vai mesmo é tirar um cochilo.
A palavra "domingo" é originária do latim Dies Dominica que significa "Dia do Senhor". Existe, nessa mesma acepção, em espanhol (Domingo), italiano (Domenica) e francês (Dimanche).
25.3.06

Medéia, filha do rei da Cólquida, apaixonada por Jasão, líder dos argonautas, o ajuda a se apoderar do famoso velocino de ouro. (Pausa pra digressão. Por muito tempo não fazia idéia do que era um velocino de ouro e imaginava uma espécie de velocípede. Velocino é pelo de carneiro.)
Mas mesmo como aliada de Jasão, seus métodos já deveriam ter sido suficientes para levantar algumas suspeitas. Para retardar os seus perseguidores, chefiados pelo pai, Medéia vai cortando pedaços do próprio irmão e atirando ao mar. Ao chegarem em Iolcos, Medéia salva Jasão mais uma vez, agora matando o tio dele, que tentava roubar o velocino de ouro. O casal apaixonado tem que fugir então para Corinto.
Jasão, subestimando a fúria de Medéia, resolve abandoná-la para casar com Glauce, filha do rei de Corinto. A vingança terrível começa pela rival. Medéia envia-lhe um vestido envenenado, que acaba causando a morte dela e do pai. Não satisfeita, assassina também os próprios filhos, como forma de punir Jasão. E este, é claro, tampouco escapa: por obra de Medéia, morre esmagado pelo navio Argos, seu companheiro em tantas aventuras. Depois de tudo isto, ela tem que fugir mais uma vez, e ruma para Atenas, onde fica sob a proteção do rei Egeu. Se você pensa que ela sossegou, está enganado, já que mais tarde tentou envenenar seu benfeitor e teve que fugir novamente, voltando à sua terra natal, Cólquida.
Resumindo, lembra da história do sapo e do escorpião? Burra sou eu de imaginar que pau que nasce torto pode se endireitar.
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