12.1.06
5.1.06
2.1.06
Às vezes tenho idéias felizes,
Idéias subitamente felizes, em idéias
E nas palavras em que naturalmente se despegam...
Depois de escrever, leio...
Por que escrevi isto?
Onde fui buscar isto?
De onde me veio isto? Isto é melhor do que eu...
Seremos nós neste mundo apenas canetas com tinta
Com que alguém escreve a valer o que nós aqui traçamos?...
Álvaro de Campos, i.e. Fernando Pessoa
14.12.05
Na Folha de hoje:
"Naqsha Bibi, 40, foi resgatada viva, na sexta-feira passada, dos
destroços de uma casa onde ficou desde o terremoto de 8 de outubro.
A mulher chegou ontem ao hospital da Associação Médica Islâmica do
Paquistão com menos de 35 kg.
Especialistas ouvidos pela Folha disseram que, embora improvável, a
sobrevivência por tantos dias sem comer é possível, contanto que haja
ingestão de água.
Supõe-se que a mulher tenha bebido água da chuva durante esse tempo,
mas ela ainda não conseguiu falar para confirmar."
E a vida ainda continua fazendo das suas.
12.12.05
(Quando sumo, desconfie que estou por aí a me embebedar de livros.)
9.12.05
6.12.05
5.12.05
ah, a Mel vem se adaptando bem. fez hoje sua primeira visita ao veterinário, tem gripe infantil, está tomando antibióticos e acredita que a barriga de A. é a sua mãe.
e A. veio contando engraçadezas da clínica. "então o cachorro da mulher morreu e ela fez que os outros 11 ficassem a noite iteira no velório." e risinhos alegres saltitaram pela casa.
(até o espirrinho dela é lindo!)
2.12.05
25.11.05
10.11.05
1.11.05
24.10.05
20.10.05

Tê está há quase um ano na Alemanha, me deixando aqui na orfandade. Tem medo de voltar pro Brasil. Quer ficar mais. Tem saudade. Ficou noiva em Veneza. Sem testemunhas.
André e eu nos casamos sozinhos, sem testemunhas, no cartório. Mas a felicidade é a mesma de um festão, né? A gente gostando deles, entendidamente, e coração contando que eles também em amor gostam da gente. E esse amor sede depois de ter bem bebido vai serpenteando pela vida, se alimentando dele mesmo.
Tê, eu desejo toda a felicidade deste mundo debaixo das estrelas pra você. Quanto ao medo de voltar, sempre dá aquela gasturinha na barriga, e trabalho não tá mesmo fácil, mas também não é impossível, ainda mais assim! É de uma raridade sem tamanho quem fale alemão e seja em Letras e Leis formado.
A saudade, daquelas que não é de bicho nem de gente, é assim de ver um moleque passando na bicicleta assobiando samba, de goiaba, de um cheiro de madeira e quadro quando se entra em casa, não abandona a gente nunca mais. É de uma estranheza só essa saudade que começa aí e não acaba em lugar nenhum, pois que é uma saudade de tempo.
Eu te amo. E tenho saudades. E te desejo um retorno feliz, a seu tempo.
14.10.05
— Daquele parati mimoso que até parece flor de jardim.
De talagada em talagada Tatão perdeu a mira da cabeça. Embaralhou o pedido de casamento com negócio de disco-voador, imposto de renda e busto de moça. A essa altura, gravata desabada e camisa fora da calça, Tatão preveniu:
— Sou o maior dedilhador dos desabotoados das meninas já aparecido em Monte Alegre. Sou Tatão Chupeta!
Gritava que era monarquista, que era a favor da escravidão e que o prefeito de Monte Alegre não passava de uma perfeita e acabada mula-sem-cabeça. E para arrematar, ganhando a porta do Bar da Ponte, garantiu:
— Só queria que aparecesse neste justo instante um boi cornudo para Tatão esfarinhar o chifre do sem-vergonha a bofetada!
Nisso, um boizinho desgarrado apontou na esquina da Rua do Comércio . Tatão cumprindo a promessa, armou o maior soco do mundo. E atrás do soco saiu Tatão, atravessou a Praça 13 de Maio, entrou no Mercado Municipal, desmontou duas barracas, esfarelou um comício de tomates e só parou no Açougue Primavera. E meio adernado sobre um quarto de boi que sangrava em cima do balcão:
— Soco de Tatão é pior que canhão de guerra. Mata e esquarteja!
José Cândido de Carvalho



