6.1.05
5.1.05
"Quando se escreve alguma coisa, essa coisa fica assente. Transforma-se num dogma. E depois as pessoas podem discuti-lo, tornam-se autoritárias, fazem referências aos textos, produzem novos manuscritos, discutem mais e não tarda nada estão a matar-se uns aos outros. Se nunca escreveres nada, então ninguém sabe exactamente o que disseste e, por isso, podes sempre mudar de opinião. Será que tenho de te explicar tudo?"
Merlim, Crônicas do Senhor da Guerra.
Merlim, Crônicas do Senhor da Guerra.
3.1.05
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
drummond
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
drummond
28.12.04
27.12.04
1.11.04
A primeira vez que vi Teresa
Achei que ela tinha pernas estúpidas
Achei também que a cara parecia uma perna
Quando vi Teresa de novo
Achei que os olhos eram muito mais velhos que o resto do corpo
(Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando que o resto do corpo nascesse)
Da terceira vez não vi mais nada
Os céus se misturaram com a terra
E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face das águas.
Manuel Bandeira
Achei que ela tinha pernas estúpidas
Achei também que a cara parecia uma perna
Quando vi Teresa de novo
Achei que os olhos eram muito mais velhos que o resto do corpo
(Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando que o resto do corpo nascesse)
Da terceira vez não vi mais nada
Os céus se misturaram com a terra
E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face das águas.
Manuel Bandeira
29.10.04
emperrei. máquina enferrujada. caneta sem tinta. teclado com defeito. travei. deu pau na máquina. não sei mais escrever.
(ai meu dEUS, perdão meu marido, apaixonado por minhas letras: as perdi. todas, aos pouquinhos como vazamento de perfume com vidro fechado. evaporou-se a verve. e agora?)
nem dá pra recorrer a são judas tadeu, era pra ter sido ontem, me esqueci. quem sabe hoje o santinho não tá mais folgado e me concede a graça? ontem não deve ter sido bolinho, ufff.
vou tentar, e de tentativa em tentativa encho o papo. azeito o papo. melhoro o papo, cresço o assunto.
(ai meu dEUS, perdão meu marido, apaixonado por minhas letras: as perdi. todas, aos pouquinhos como vazamento de perfume com vidro fechado. evaporou-se a verve. e agora?)
nem dá pra recorrer a são judas tadeu, era pra ter sido ontem, me esqueci. quem sabe hoje o santinho não tá mais folgado e me concede a graça? ontem não deve ter sido bolinho, ufff.
vou tentar, e de tentativa em tentativa encho o papo. azeito o papo. melhoro o papo, cresço o assunto.
17.12.03
16.12.03
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